sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Há Esperança Para os Não Evangelizados?

(Traduzido de Jon L. Dybdahll , Adventist Mission in the 21 st Century por Emilio Abdala)

Qual é o destino daqueles que não tiveram oportunidade de ouvir as boas novas sobre Jesus? Aos que lhe faziam esta pergunta, Charles H. Spurgeon, o evangelista inglês do século 19, costumava dar a seguinte resposta: “A questão que importa é saber qual o destino daqueles que têm o evangelho, mas falham em comunicá-lo aos que estão perdidos.” Segundo Jon L. Dybdahl (p. 54-61), teólogos cristãos têm desenvolvido quatro respostas básicas para a questão acima:

1- Restritivismo: Essa teoria argumenta que todas as pessoas não evangelizadas estarão perdidas. A menos que as pessoas ouçam a mensagem de Jesus e respondam a ela, eles não terão esperança. Augustinho ensinou esse ponto de vista, assim como o teólogo reformador João Calvino. A força desse conceito está em sua poderosa motivação para as missões. Hudson Taylor, o grande missionário britânico que trabalhou na China, fundou sua sociedade missionária sobre essa premissa. Os restritivistas encontram apoio para sua posição em passagens bíblicas tais como João 3:36 e 1 João 5:12. Porém eles têm um problema. Como crer em um Deus justo se pessoas se perderem porque não tiveram a oportunidade de ouvir as boas novas sobre Jesus, embora elas não tenham culpa disso?


2- Universalismo: O universalismo sustenta que todos os sinceros inquiridores da religião serão salvos. Embora haja muitas explicações diferentes de como isso acontece, uma coisa é certa: no fim, todos os não evangelizados, mesmo os que são agora rebeldes, serão salvos. Esse conceito foi defendido no passado por Orígenes. No século 20, essa idéia recebeu apoio de teólogos bem conhecidos, como William Barclay e Paul Tilich. Seus textos favoritos são 1 Timóteo 4:10, João 12:32 e Tito 2:11. O problema é explicar por que Jesus ordenou aos Seus discípulos levar a mensagem “aos confins da terra” (At 1:8) e “fazer discípulos de todas as nações (Mt 28:19). Para que testemunhar se no final todos serão salvos ?

3- Inclusivismo: Entre os dois extremos das posições acima mencionadas, esse conceito afirma que, por causa do que Deus fez por nós através de Jesus, todos os sinceros inquiridores religiosos serão salvos. Sendo Jesus a base da salvação, Ele pode salvar pessoas sinceras de outras religiões ou sem religião mesmo que não tenham ouvido falar Dele. John Wesley e C.S. Lewis, o popular escritor cristão, estão entre os defensores do inclusivismo. Um grupo acredita que não precisamos evangelizar essas pessoas. Como Deus conhece todas as coisas, Ele pode simplesmente julgá-los com base em como eles responderiam caso ouvissem o evangelho.

4- Oportunidade Universal: Existem dois grupos que defendem o conceito da oportunidade universal. O primeiro grupo crê que todas as pessoas têm uma oportunidade de serem salvas, porque se Deus não lhes enviar um mensageiro humano, Ele usará anjos, sonhos ou outra forma qualquer de revelação. Se isso não ocorrer durante seu período de vida, ele ou ela terá uma oportunidade no momento da morte. Tomás de Aquinas e Norman Geisler são proponentes desse conceito. O segundo grupo acredita que o evangelismo acontece após a morte em algum estado intermediário. O texto favorito desse grupo é 1 Pedro 3:18-44:6. Um aderente antigo desse conceito é Clemente de Alexandria, e um moderno são os mórmons.

Ao estudarmos esses pontos de vista, quatro princípios necessitam ser destacados: Primeiro, existem pessoas cristãs sinceras nestes quatro campos. Segundo, devemos levar a sério as palavras de Atos 4:12: “Não há salvação em nenhum outro nome.” Jesus é único e Ele é o único caminho da salvação. No entanto, pessoas sinceras de outras religiões podem ser salvas. Os perdidos não necessitam necessariamente conhecer nesta vida o nome de Jesus ou a fonte exata de sua salvação. O apóstolo Paulo indica que Deus Se revelou desde o início através das coisas que Ele criou (Rm 1:20). O salmista afirma que as obras criadas revelam Deus (Sl 19:1-4). Há uma referência à possibilidade de Deus levar em consideração o lugar de nascimento de uma pessoa ao definir o seu destino eterno (Sl 87:5,6). Em sua discussão com os atenienses, Paulo descobriu que eles adoravam ao Deus desconhecido (At 17:22,23).

Terceiro, os cristãos devem manter um equilíbrio entre o amor de Deus e Sua justiça, bem como à comissão clara, dada por Ele, para testemunhar. A maneira usual que Deus salva pessoas é através de mensageiros que compartilham as boas novas. Mas sendo Ele justo e compassivo, certamente que não está limitado por nossas falhas na evangelização. Uma posição de equilíbrio pode ser encontrado em Ellen White. Por um lado, ela afirma que pessoas perecem por causa de nossa falha em alcançá-las: “Multidões perecem por falta do ensino cristão. Ao lado de nossa porta e em terras estrangeiras os pagãos. (CBV, p.288). Por outro lado, ela explica como algumas pessoas não cristãs serão salvas: “Entre os pagãos estão aqueles que adoram a Deus ignorantemente, aqueles a quem a luz nunca foi levada pelas instrumentalidades humana, e ainda serão salvos ….(DTN 638, 639.Ver p. 464 e 465). Certamente que outras questões deveriam merecer a nossa atenção, ao invés de especulações sobre a sua salvação: Como Deus está trabalhando na vida desta pessoa? O que devo fazer para avançar esse processo?

À luz de todos esses argumentos, aqui estão alguns motivos para o envolvimento na missão:

Por causa das necessidades urgentes das pessoas (Mt 9:36)

Porque Jesus ordenou (Mt 28:19-20; Mc 16:15,16; Lc 24:48,49; Jo 20:21)

Porque Deus usa pessoas cristãs para levar outras à fé (Rm 10:14,15)

Para o benefício do missionário (1 Co 9:16)

Porque o grande conflito ainda não terminou.

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