domingo, 12 de setembro de 2010

O Poder da Pregação Bíblica


A cada culto em nossas igrejas, um dos momentos mais esperado é aquele da pregação da Palavra de Deus, ou seja, o sermão.

Porém, alguns têm subestimado a utilização deste momento, fazendo com que as pessoas (adoradores) voltem para casa com a mesma sensação de vazio de alma com que chegaram para adorar.
Veja o que escreveu um dos grandes teólogos Adventistas da atualidade acerca deste assunto:

“Há muitos no mundo e na igreja que inconscientemente anseiam pela mensagem: ‘os teus pecados estão perdoados’. Portanto, em cada sermão, o pregador precisa proclamar a justificação” – LaRondelle, O que é salvação?, pág. 78.


O que o Dr. LaRondelle disse foi que os púlpitos Adventistas devem ser (bem) utilizados na pregação da mensagem de salvação em Cristo. E isto tem sido olvidado por alguns pregadores, na minha opinião. Em muitas ocasiões temos visto sermões recheados de filosofia, pedagogia, psicologia, economia, atualidades… até novelas… mas pouca TEOLOGIA.

Muitos preferem falar apenas do tamanho das saias, do comprimento dos cabelos, de não comer isso ou aquilo, de eventos escatológicos sensacionalistas, do decreto dominical, etc… e não falam ao povo que Jesus está ansioso para carregar nossos fardos. Tenho plena certeza que muitos dos nossos irmãos ainda não tiveram um encontro real com Deus, porque simplesmente DESCONHECEM o que a Bíblia ensina sobre a abundante e incompreensível graça de Jesus.

Sabem tudo sobre decretos dominicais, datas, sinais, leis, temperança, etc… mas quase NADA sobre a justificação em Cristo.

O que estou querendo dizer?

Alguns escolhem um verso bíblico apenas como ponto de partida para sua peça de oratória, mas fogem totalmente do que a passagem realmente diz, e muitas vezes o simples estudo aprofundado do texto bíblico já seria suficiente para impressionar a mente e o coração dos ouvintes. Já vi pregadores utilizarem 10 versos bíblicos isolados em um único sermão, o que acaba resultando apenas numa “colcha de retalhos” de vários “mini-sermões”. Não é à toa que são pouquíssimos os sermões que realmente marcaram nossa experiência cristã!

Para tentar ajudar aqueles que desenvolvem o pesado privilégio de servirem como mensageiros de Deus à Sua Igreja amada, eu apresento abaixo alguns simples conselhos, que podem melhorar em muito a qualidade da pregação e, especialmente, a qualidade do RESULTADO que esta pregação promove na vida da Igreja.

Tipos de Sermões (adaptado de H. U. Reifler)

Existe, basicamente, 3 tipos de sermões que podem ser utilizados nos nossos cultos:

1. Temático
É aquele em que se escolhe um tema e então se procuram os textos necessários para explicá-lo.
Ex: A volta de Jesus, o amor entre os irmãos, a santificação, a vida conjugal, etc.
* O sermão temático é bom para ser usado em conferências, na apresentação de doutrinas e de algumas biografias.

Vantagens:
· É o de divisão mais fácil, pois de fato é o mais simples. Como o texto é mais complexo que o tema, é mais fácil dividir um sermão temático.
· É o de lógica mais fácil, sendo o que mais se presta à observação da ordem e da harmonia das partes.
· Conserva melhor a unidade.
· Presta-se melhor à discussão de temas morais, evangélicos e ocasionais.
· Adapta-se melhor à arte da oratória.

Desvantagens:
· Exige muito controle do pregador para evitar divagações ou generalidades vazias.
· Requer um estilo mais apurado e formal
· Exige mais imaginação e vigor intelectual, visto que se presta mais ao uso de símiles, metáforas e analogias.
· Exige mais cultura geral e teológica, já que não se limita à análise de um texto apenas.
· Exige mais conhecimento da lógica e da dialética, pois tende a discussões apologéticas (de defesa da fé e da doutrina).
. Há o perigo constante de desprezar o uso em 1º plano das Escrituras (alguns nem sequer chegam a abrir a Bíblia na pregação temática – o que é um ERRO FATAL).

2. Expositivo
É aquele baseado em um único texto bíblico longo (três versos ou mais). Começa com um texto, então se descobre o tema e o seu desenvolvimento.
Ex: Mat. 25:14-30; Mat. 3:7-12
É útil para a explicação continuada e abrangente de um livro da Bíblia; também para a exposição de passagens relacionadas em série: a) parábolas de Jesus; b) Milagres de Jesus; c) Encontros de Jesus; d) Heróis da Bíblia; e) As Sete Igrejas do Apocalipse; etc.

Vantagens:
· Presta-se melhor à exposição de um livro bíblico inteiro ou de uma doutrina sistematizada.
· É de grande valor para o desenvolvimento do poder espiritual e da cultura teológica do pregador e de sua congregação.
· Inclina-se mais à interpretação natural das Escrituras do que à alegórica.
· É o método mais difícil, muito apreciado pelos que se dedicam à leitura e ao estudo diário e constante da Bíblia.

3. Textual
É aquele baseado em um texto bíblico curto (desde uma frase até 2 versos, no máximo). Começa com um texto, então se descobre o tema. Tanto a idéia central como as divisões principais devem brotar deste texto único. As idéias secundárias – subdivisões – podem vir de outros textos.
Ex: Mateus 7:13-14

Vantagens:
· É profundamente bíblico.
· Exige do pregador um conhecimento profundo das Escrituras.
· Obriga o pregador a estudar constantemente a Bíblia.
· É o que mais se presta ao doutrinamento.
· É o que mais se adapta ao pregador de cultura geral mediana, mas com vasto conhecimento das Escrituras e da teologia.
· É muito apreciado pelo povo.

Conclusão:
Os 3 tipos de sermões são válidos, mas a experiência tem mostrado que a Igreja é melhor “alimentada” das Escrituras quando o pregador utiliza o sermão TEXTUAL ou o EXPOSITIVO.
O Temático deve ser guardado apenas para ocasiões especiais, e muito limitadamente.

Passos para o Preparo de Sermões Bíblicos

1. Escolher o texto, tendo em vista a NECESSIDADE da Igreja e o DOMÍNIO do pregador sobre o assunto.

2. Ler o texto e o contexto para familiarizar-se com o seu conteúdo. Leia o que o Espírito de Profecia fala sobre a passagem. Pesquise no Comentário Adventista e em Dicionários teológicos.

3. Dissecar o texto em forma de frases, cada qual contendo uma única verdade (exegese básica). Assim você vai mostrar para a Igreja o que o texto REALMENTE ensina.

4. Determinar a idéia central ou assunto.

5. Determinar as diversas idéias complementares ou de apoio à idéia central.

6. Ler todo o material necessário para correta compreensão do texto (comentários, dicionários, gramáticas, léxicos, etc.). Em alguns casos, é importante o conhecimento sobre a cultura da época na qual o texto foi escrito.

7. Preparar o esboço. Este passo é feito através da organização dos pensamentos do texto, no que chamamos de DESENVOLVIMENTO do sermão (deve ter, no máximo 4 partes).

8. Dar sustentação ou apoio, isto é, complementar o esboço com comentários, citações, ilustrações, exemplos, estatísticas, definições, etc.

9. Preparar a conclusão. Não esquecer JAMAIS de fazer um claro e objetivo APELO ao final do sermão. Um sermão serm apelos será ALEIJADO, mesmo que o pregador seja um especialista em eloqüência. É através do apelo que o pregador leva a congregação à ação.

10. Preparar a introdução. Inicie o sermão de forma a preparar a mente dos ouvintes para o que será estudado no texto bíblico. Evite os velhos “chavões” de sempre, ou contar “piadas” para quebrar o gelo.

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Se o sermão for bem preparado e bem fundamentado nas Escrituras, os irmãos sairão da Igreja com a sensação de que o Espírito Santo de Deus falou aos seus corações.

Nossa Igreja precisa ser melhor alimentada nesta fase final da história do Mundo. E o melhor alimento que podemos dar é através de uma pregação profunda e poderosa sobre a justificação pela fé em Cristo Jesus.

Deixe que a Bíblia mostre para sua Igreja o quanto a graça de Jesus é abundante, e o quanto Ele está desejoso de que todos alcancemos a vitória nEle.
“A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus” – 1Coríntios 2:4-5.

Eis a receita de um poderoso sermão!

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