segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Como Resgatar Ex-Adventistas


Desde quando me tornei Adventista do 7º dia eu tenho visto centenas de pessoas entregarem suas vidas a Deus, e também entrarem para Sua Igreja.
Por outro lado, também conheci outros tantos que, em algum momento da jornada, se desviaram do Caminho e preferiram abandonar (ou apenas “esfriar”) da fé.
Como família, o que podemos fazer para ajudar nossos irmãs e irmãs que estão distante do Pai a retornarem para Seus braços de amor? Onde temos falhado como instituição? Onde podemos melhorar para que os que são batizados sintam prazer em permanecer entre nós? O que fazer para trazer de volta aqueles que um dia estavam aqui com a gente?
Encontrei um excelente material sobre este assunto, o qual foi compilado por um dos maiores evangelistas do nosso País – o Pr. Emílio Abdala (IAENE).


Buscando as Ovelhas Perdidas
Tipos de afastados difíceis de resgatar:
1 – Ex-empregados de Instituições Adventistas – Por alguma razão, uma instituição se torna impessoal. Não é prudente encorajar novos membros a se empregarem em instituições. Eles perdem o amor e o toque pessoal da igreja, pois a instituição se relaciona mais na base comercial.
2 – Ex-professores – Um dos mais difíceis tipos. Geralmente são frios e calculistas. Pessoas nessa categoria não se convencem com argumentos doutrinais.
3 – Profissionais da saúde – O treinamento acadêmico, a irregularidade de tempo, a pressão do dever, a associação com o mundo e a prosperidade financeira desgastam a sua conexão com a igreja. Os que sobrevivem a tudo isso se tornam dedicados membros da igreja, mas muitos decidem não mais pertencer à ela. São difíceis de se aproximar porque são sempre ocupados.
4 – Neuróticos espirituais – Alguns se tornam obstinados pela pseudopsicologia, espiritismo, mania por tratamentos naturais, pentecostalismo, sonhos e visões. Não se pode fazer muito por eles. Alguns abandonam suas excentricidades e voltam à normalidade, mas uma vez conectados à igreja, podem criar danos à harmonia dos membros.
5 – Financeiramente prósperos – Alguns caem nos tentáculos da prosperidade e associações comerciais. Tornam-se orgulhosos e de “nada têm falta”. Seu ouro é seu deus. Pouco se pode fazer por eles até que as circunstâncias os levem à necessidade.
6 – Intelectualmente orgulhosos – Alguns são jactanciosos de seu ceticismo, suas dúvidas e sua habilidade de encurralar o pregador em uma discussão. Argumentar é perda de tempo, pois são firmes em suas opiniões.
7 – Facções independentes – Provavelmente sejam ex-obreiros ou líderes da igreja. Saíram pelo orgulho e rebelião e tiveram grande satisfação em lutar contra a igreja.
Tipos facilmente resgatáveis
1 – Ex-pastores – Alguns tiveram uma queda moral e se entregaram temporariamente aos laços do pecado, mas eles ainda amam a verdade em sua totalidade. Mesmo que não consigam retornar ao antigo status, apreciarão aceitação e perdão.
2 – Ex-colportores e professores de escolas adventistas – Os problemas de ambos são os mesmos: as dificuldades financeiras os deixaram amargurados ou os desanimaram a permanecer na igreja. Ainda crêem nas doutrinas, mas necessitam perceber nosso amor e interesse por seu retorno.
3 – Jovens provenientes de lares divididos – Crianças batizadas na idade entre 9 a 12 anos, ao envelhecerem abandonam a igreja, não por terem sido mal doutrinadas, mas pela atuação em seu lar. Eles raramente perdem seu amor pela verdade. Depois de provar as atrações do mundo, eles descobrem a sua nulidade e anseiam pelo conforto e segurança da igreja.
4 – Os casados com infiéis – Casamento com pessoas que não possuem a mesma esperança é um dos maiores fatores que expandem as fileiras dos apostatados. Alguns saem por causa dos laços naturais que esse envolvimento traz: compromisso em matéria de recreação; descuido na observância do sábado; rebaixamento nos padrões de vestuário, etc. Por algum tempo são indiferentes e frios, mas sempre vêm momentos em que caem em si: “Ei, o que está ocorrendo comigo?”. Há também o problema de mães solteiras que necessitam de compreensão e não de condenação.
5 – Mães de crianças recém-nascidas – Esse é um período em que perdemos muitas mulheres da igreja. Durante a gravidez ela se sente desconfortável, e quando o bebê nasce aumentam os cuidados. Na igreja o bebê chora consideravelmente. Se a igreja é pequena, muitos sugerem: “Por que não leva o bebê para fora? Ele está perturbando o culto”. Frustrada, ela diz, “só voltarei quando o Alfredinho tiver idade para ficar na Escola Sabatina”. Logo ela se afasta, não porque não crê na profecia das 2.300 dias, por exemplo, mas por falta de ajuda dos membros. Elas são fáceis de resgatar pois querem seus filhos na igreja.
6 – Pessoas com problemas de trabalho aos sábados – Muitos saíram em tempo de crise relacionada ao trabalho aos sábados. Talvez um pai preocupado com seus débitos se enfraqueça quando ameaçado com a perda do emprego. Eles ainda amam a mensagem e pretendem retornar quando estiverem “equilibrados financeiramente”.
7 – Pessoas que experimentaram queda moral – Às vezes a igreja rotula a parte inocente e a parte culpada em um problema moral. Então a parte culpada sente que há pouca esperança de ser reconciliado com a igreja novamente a despeito da convicção que possam ter.
8 – Vítimas de hábitos – Álcool, tabagismo ou drogas. Eles são fracos. Somente a bondade e amor podem resgatá-los de volta. Deixe-os saber que você confia nele e continuará orando por seu restabelecimento. Fortaleça-os com o pensamento de que Deus é poderoso – 1Cor. 10:13.
9 – Pessoas do tipo “Filho Pródigo” – Crêem nas doutrinas, mas desejaram experimentar o mundo. Faça-os saber do amor que a igreja tem por eles e que quando eles estiverem prontos para voltar serão bem recebidos. Aguarde até que tenham “gasto tudo”. Se são jovens, vocês poderão ganhá-los com um vigoroso programa recreativo e espiritual em sua igreja. Não torne a religião sem atrativos, enfatizando apenas os “nãos”, mas seja criativo em novas formas de envolvê-los.
Sugestões para visitação
Após se apresentar àqueles que receberão sua visita de maneira sincera, calorosa e amigável, você poderá introduzir o assunto com algumas perguntas, como as que se seguem:
1. Que trabalho você faz? Gosta do que faz?
2. Mora aqui há muito tempo?
3. Quantos filhos você tem?
4. Você já foi um dia membro de nossa igreja?
5. Onde?
6. Quanto tempo você freqüentou a igreja?
7. Ainda crê na mensagem pregada pela Igreja Adventista?
8. Já pensou em voltar algum dia para a igreja?
9. Há algo que o impede de retornar?
10. Não é prudente adiar o seu regresso, não é verdade? Com crianças tão lindas como essas, que grande responsabilidade a sua de educa-las nos caminhos de Deus! Quanto mais você esperar, menos serão as chances de ajudá-las a se entregarem a Jesus. Quero convidá-lo para um programa especial (ou reunião evangelística) neste sábado.
O que “fazer” e o que “não fazer” ao trabalhar com ex-adventistas
1. Vá logo ao ponto – Instintivamente ele já sabe a que você veio e se sente desconfortável com os rodeios. Quanto mais cedo você for ao ponto, menor o período de tensão. Você se sente à vontade conversando com um médico com uma seringa na mão?
2. Permita que a amargura venha à tona – Ele está sobrecarregado com rancores e mágoas longamente retidas. Ele culpa a igreja por injustiças reais ou imaginárias, sua mágoa é contra o presidente ou o ex-pastor. Ouça de maneira gentil; ouça com interesse. Diga-lhe, “se eu estivesse em seu lugar e tivesse sido tratado assim, eu me sentiria como você”. Quando ele percebe que você está do mesmo lado, começa a se desarmar.
3. Não defenda ninguém – Não importa quem ou o que o afastado ataque, não defenda ninguém. No momento em que você defende alguém, automaticamente, a mente dele identifica você como seu inimigo. A partir deste ponto você se torna impotente para ajudá-lo.
4. Não traia a confiança do ex-membro – Não dê publicidade ao que ele lhe falou. Melhor não repetir certas coisas, pois se ele descobrir que você vazou confidências, nunca mais confiará em você nem na igreja.
5. Não demore – Há momentos em que precisa ouvir uma longa história de decepção. Mas normalmente 15 ou 20 minutos são suficientes. Se respeitar esta regra, as portas se abrirão para você na próxima vez.
6. Sempre conclua sua visita com uma oração – Não pergunte se ele deseja uma oração. Diga-lhe: “Bem, preciso ir. Mas antes de partir, vamos fechar os olhos para uma oração?
Sugestões de frases a serem usadas na oração:
“Ajude-o a não se demorar muito neste mundo, mas a estar na arca quando o dilúvio chegar”.
“Perdoa-nos pela dor que nós como igreja lhe causamos, e ajude-o a reconhecer que o amamos e aguardamos o seu retorno”.
“Senhor, desejo que suas crianças estejam seguras em seguir os seus passos, e que esses passos estejam na direção da vontade de Deus”.
7. Faça um breve convite para as reuniões evangelísticas ou para a Escola Sabatina – Não tente forçá-la a prometer que irá. A visitação deverá ocorrer de forma casual e amigável.
8. Saia imediatamente após a oração – Não demore. Cada minuto gasto no lar após a oração final desfaz o efeito de sua visita. Isso é vital!
Não faça!
1. Não tente arranjar uma série de estudos bíblicos – Muitos tomam isso como afronta, pois já conhecem as doutrinas. O que necessitam é de amor e reconversão. Reconduzi-los a uma reunião evangelística ou a Escola Sabatina é a melhor maneira de ganhá-los.
2. Não aceite dinheiro do ex-membro – Muitos confirmam a ideia de que o que realmente queremos é o seu apoio financeiro para a igreja. A exceção é o dízimo. Se ele quer devolver o dízimo, entregue-lhe o recibo.
3. Não argumente sobre normas da igreja – Apenas peça que ele ore sobre essas coisas e peça a Deus para tornar o assunto claro. A oração muda corações de tal maneira que os argumentos são impotentes de fazê-lo.
Procedimentos pós-visitação
1. De tempo em tempo telefone para o ex-membro mantendo-o informado sobre os interessantes eventos da igreja. Mas não o incomode com chamadas fora de hora ou extensas.
2. Aproveite a aproximação de eventos importantes como desculpa para visitá-lo para um convite. Ofereça-lhe transporte ou marque um horário para irem juntos.
3. Peça a alguém da mesma idade ou do mesmo grupo social (profissão) para se aproximar do ex-membro.
4. Ajude-o a solucionar problemas que dificultam a sua assistência à igreja:
a. Alguém que cuide dos seus filhos em casa ou no lar
b. Transporte aos que moram distantes
c. Assistência a algum doente sob seu cuidado que o impede de ir à igreja.
5. Ocasionalmente, leve em sua casa um livro, um pão integral, buquê de flores ou uma cesta de frutas.
6. Após se tornar familiar com ele, envie-lhe cartões de aniversário ou de ocasiões especiais.
7. Faça-lhe uma assinatura da revista Revista Adventista.
8. Ex-membros raramente resistem a um apelo de entrega após um período de contínua oração intercessória em seu favor.
O que pode ser feito:
1 – Comece imediatamente um programa de visitação aos desaparecidos ou ex-membros.
2 – Implemente o programa de Pequenos Grupos para promover o companheirismo, estudo da Bíblia e oração.
3 – Organize um forte programa de visitação, com anciãos e diáconos regularmente visitando os membros designados a eles.
4 – Fortaleça o ministério do ensino na Escola Sabatina
5 – Descubra uma liturgia mais rica com muitos cânticos congregacionais, testemunhos e cultura da Bíblia.
6 – Mude o sistema de Transferência de membros. Não deixe a iniciativa de pedir a carta para o membro somente.
7 –Não enfatize ensinos que são mais baseados em cultura do que na Bíblia.
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Colocando em prática estes princípios, teremos a alegria de vermos muitos retornando para a Casa de Deus.
“… Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou” (Lucas 15:20).
Publicado originalmente em Gilson Medeiros

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