sábado, 10 de julho de 2010

Para nossa proteção

Um dia Joãozinho, um garoto de seis anos, chegou em casa gritando entusiasmado:

- Mamãe, posso ir nadar lá no lago?

- Mas, filho, o lago é muito profundo. Quem vai junto?

Joãozinho olhou para o chão e respondeu timidamente:

- Meus amiguinhos da escola...

- Não, filhinho, eu não deixo. - respondeu a mãe, carinhosa mas firmemente.

O que você acha que Joãozinho ficou pensando naquele momento? Será que ficou contente? Afinal, a mãe tinha ou não razão?

Algo semelhante ocorre, muitas vezes, conosco. Em nossa relação com Deus queremos saber os porquês de certas coisas. Por que tive que nascer? Por que viver? Por quê? Por quê? E por quê? Uma das perguntas mais comuns é a seguinte: "Se Deus nos criou livres, por que nos manda guardar Seus mandamentos?"


A Bíblia deixa claro que nos tornamos justos quando mantemos uma vida de comunhão e amizade com Jesus - que é a Justiça - e não quando guardamos os mandamentos. É impossível ganhar a salvação pela observância da lei, pois, segundo a escritora Ellen G. White, "aquele que se esforça para alcançar o Céu por suas próprias obras em observar a lei, está tentando o impossível" (O Desejado de Todas as Nações, p. 121).

Se a justificação é gratuita mediante os méritos de Cristo (cf. Rm 3:20, 24; Ef 2:8), por que, então, falar em lei?

O apóstolo Paulo esclarece essa questão quando diz que "a lei nos serviu de aio [condutor], para nos conduzir a Cristo, para que fôssemos justificados" (Gl 3:24). Assim, percebemos que, embora a lei não nos possa salvar, ela pode nos conduzir àquele que é o Salvador.

A lei da liberdade: supremo padrão

A lei de Deus é o código de conduta cristão e o apóstolo Tiago a compara a um espelho quando diz: "Porque aquele que ouve a mensagem e não a pratica é como um homem que olha no espelho e vê como ele é. Dá uma olhada, depois vai embora e logo se esquece da sua aparência. Mas quem examina a lei perfeita que dá liberdade às pessoas e continua firme nela, não é somente ouvinte, mas praticante do que essa lei manda. E Deus abençoará tudo o que essa pessoa fizer" (Tg 1:23-25 BLH).

Tente limpar seu rosto com um espelho! Você o sujará mais. Portanto, repito, a lei não nos pode purificar do pecado, mas aponta para aquele que pode. A lei diagnostica, mas não cura a doença do pecado.

Agora tente imaginar um casal de noivos se preparando para o casamento. Adquirem um terreno. Edificam uma bela casa. Mobiliam-na e, quando tudo está pronto, a noiva pergunta: "Querido, podemos marcar a data de nosso casamento agora?" Ao que o noivo responde: "Não, querida. Eu a amo, mas não quero casar."

Será que ele a ama realmente? O amor não deve se expressar através de atitudes? Cristo disse: "Se vocês Me amam, obedeçam aos Meus mandamentos" (Jo 14:15 BLH). Aí está a resposta: obediência por amor.

A obediência mostra de quem somos filhos e que nossa fé não é morta (Tg 2:17). Por outro lado, a fé, somente, não é desculpa para não se guardar a lei de Deus (cf. Rm 3:31).
Quem ama, obedece. Quem não obedece, não ama tanto quanto diz amar e a Bíblia o chama de mentiroso (cf. 1Jo 2:4). Na matemática bíblica, com relação aos dez mandamentos, dez menos um não é nove, mas zero (cf. Tg 2:10).

Um dever universal

Realmente a guarda dos mandamentos é um assunto sério. A Bíblia declara que devemos respeitar e amar a Deus guardando Seus mandamentos, "porque este é o dever de todo homem" (Ec 12:13). Se é o dever de todo homem (pessoa), ninguém está excluído. E se é dever, guardar a lei é, na verdade, o mínimo que devemos fazer por amor a Deus.

Note que o Senhor poderia ter mandado Moisés escrever os dez mandamentos, mas preferiu Ele mesmo escrevê-los em tábuas de pedra (cf. Êx 31:18), demonstrando, com isso, a inalterabilidade e eternidade do decálogo, pois "até que o céu e a Terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei" (Mt 5:18).

Para Joãozinho - o garoto do início deste artigo -, tomar banho no lago com os amiguinhos era a melhor coisa que poderia fazer. Mas sua mãe, mais madura e experiente, negou-lhe o pedido. Por amor.

Lembre-se de que a consciência jamais será um guia seguro para a nossa conduta. A consciência é uma voz interior que diz: "Faça o que é certo." Mas ela não define o que é correto. Quem define o que é certo ou errado não é a consciência. É Jesus, através de Sua revelação escrita, a Bíblia Sagrada.

O que Joãozinho não sabia é que "há caminho que, ao homem, parece direito, mas seu fim é a morte" (Pv 14:12). Se Deus estabeleceu uma lei, o fez para a nossa proteção. Andando nela estaremos seguros e felizes. Fora dela, devemos arcar com as consequências.

Experimente ler, decorar e cumprir, pela graça de Cristo, os Dez Mandamentos escritos no livro de Êxodo, capítulo 20, versos 3 a 17, pois "a lei do Deus Eterno é perfeita e nos dá novas forças. Os Seus conselhos merecem confiança e dão sabedoria às pessoas simples" (Sl 19:7 BLH).

Michelson Borges

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