segunda-feira, 17 de maio de 2010

Três passos para à vitória

Havemos de convir que a maior parte do mundo religioso acredita que estamos nos tempos do fim. Até mesmo muitos agnósticos, céticos e ateus pressentem que algo extraordinário esteja para acontecer. A nossos dias comparou Jesus Cristo os dias de Noé, quando “comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento” 1, e os dias de Ló na ímpia cidade de Sodoma, quando “comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam” 2. Os habitantes da Terra nos últimos dias excederiam os limites do apetite, da paixão e da ambição. Deus proveu o delicioso alimento, mas o homem comeu até tornar-se glutão. O ser humano não foi criado apático e indiferente ao ambiente ao seu redor, foram-lhe dadas paixões. O homem, porém, anteriormente regido pela mente, passou a te-la dominada pelos impulsos corporais, para viver escravo dos clamores da carne. Todos desejam prosperidade, o que é muito natural, mas na sociedade contemporânea as mais vis atrocidades são motivadas pelo desejo de obter status e posições, riquezas e mais riquezas, tudo para satisfazer a apetites e paixões desenfreados. Vemos então que maravilhosas dádivas divinas concedidas à criatura para o bem estar do mundo, do universo e do Deus infinito, quando controladas pela razão, passaram a controlar a própria razão, dando origem a um ciclo vicioso manchado de orgulho e egoísmo, caracterizando assim os tempos do fim.

O primeiro pecado registrado na história do universo foi o de Lúcifer, o belo querubim ungido que ambicionou não apenas ser igual a Deus, mas exaltar seu trono acima do Altíssimo 3. Não há nada errado em ambicionar ser igual a Deus, pois se não fosse assim não encontraríamos em Sua palavra a ordem de sermos santos como Ele é santo, e perfeitos como Ele é perfeito 4. Lúcifer caiu pela ambição, mas não por desejar ser tão amável, justo e misericordioso quanto o Rei do universo, mas por almejar a autoridade, poder e a adoração que jamais pertencerão a criatura alguma.


Quando Deus colocou a árvore do conhecimento do bem e do mal no jardim do Éden e ordenou nossos primeiros pais a não comerem dela, não estava querendo priva-los de algum prazer benéfico. Além do mais, o conhecimento do mal não estava na árvore em si, nem no fruto por ela produzido, mas na atitude de desobediência a um claro “assim diz o Senhor”. No entanto, Eva caiu pelo apetite quando viu que a árvore era boa para se comer, pela paixão, por ser agradável aos olhos, e pela ambição, pois era desejável para dar entendimento 5, elevando-os a uma esfera superior de existência, esfera tal que apenas Deus e Lúcifer haviam alcançado até então, o conhecimento proibido do bem e do mal, o ocultismo, que poucos têm acesso. A serpente bem sabia em que áreas dar o bote, e ainda sabe.

Já o apaixonado Adão amava tanto a Eva que, por um momento, esqueceu de amar seu Criador. Caiu pela paixão, assim como vários lares hoje são arruinados pela infidelidade de homens movidos pela mesma fraqueza que nosso primeiro pai manifestou e deixou-nos como legado. A diferença é que no caso de Adão, o lar arruinado foi o planeta inteiro e toda a sua descendência até os dias de hoje. Quanto maior o privilégio, maior a responsabilidade, e mais vastos os resultados de cada decisão. Valeu a pena permitir que o apetite, a paixão e a ambição dominassem a razão? Vale a pena ainda? O conhecimento do bem e do mal foi um grande presente de grego, e muitos hoje louvam a Satanás por ele sem ver o fim. Que Deus nos ajude!

É claro que o nosso Deus que nos ama tanto não nos deixaria sem saída. O onisciente já havia desde a eternidade traçado um plano pelo qual a pérola de Sua criação pudesse ser restituída ao estado do qual caiu. Através de Jesus Cristo pode o homem obter novamente a vida eterna, e estará mais próximo de Deus do que se nunca houvesse provado o pecado. Quão insondável o amor divino!

“E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” 6. É necessário deixar o conhecimento do mal, da prática do pecado, sendo transformados pela renovação do nosso entendimento 7, até obtermos a mente de Cristo 8, e conhecermos nada mais, senão a Deus, e a Seu Filho a Quem enviou.

O Salvador da humanidade foi nesta Terra um homem humilde e simples. Foi tratado como nós merecíamos, para que pudéssemos ser tratados como Ele merece! Jesus venceu onde Adão, Eva e Lúcifer falharam, “deixando-nos o exemplo, para que sigais as Suas pisadas. O qual não cometeu pecado” 9.

No deserto da tentação, o homem Jesus foi atacado pelas três grandes tentações que contribuíram com a queda de nossos primeiros pais, uma das quais engodou o próprio tentador no imaculado céu. O apetite, a paixão e a ambição desenfreados são também as principais transgressões dos dias finais. Assim como o diabo sabe em que áreas dar suas investidas, Cristo bem sabia que partes tinham que ser fortalecidas, e começou jejuando quarenta dias para que pudesse durante todo o Seu ministério dominar o apetite pela graça do Pai que nEle habitava.

O inimigo com toda a sua artimanha aparece a Cristo no final do jejum, faltando pouco para terminar, e tenta a Jesus com a dúvida, sua arma mais bem sucedida. “Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães” 10. Se Cristãos tivessem mais fé resistiriam melhor às tentações e não seriam ridicularizados pelos mundanos pela má conduta que demonstram. Faltava só um pouco mesmo para concluir o jejum, que diferença faria só uns pãezinhos? Cristo não podia usar Seu poder divino para benefício próprio ou para satisfazer um apetite egoísta. O Rei do universo, ainda que com o corpo faminto, possuía na alma um banquete espiritual. “Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” 11. O abnegado e compassivo Salvador sabia que se perdesse o controle de Seu apetite, tampouco dominaria Suas paixões naturais e, consequentemente, vender-se-ia às ambições egoístas deste mundo. Entretanto, ao vencer nesta área, colocou-se em terreno vantajoso para as próximas duas batalhas.

Insatisfeito com a derrota, o chefe das hostes malignas sugere um falso amor apaixonado, através do qual mundo e igreja mergulham à perdição. “Se tu és o Filho de Deus, lança-te de aqui abaixo; porque está escrito: Que aos seus anjos dará ordens a teu respeito, E tomar-te-ão nas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra” 12. Se o erro fosse apresentado em sua totalidade, poucos cairiam nele. Uma certa dose de verdade tem que ser aplicada para que a probabilidade máxima do engano triunfar seja obtida. No caso do Filho de Deus, vemos que Sua própria palavra foi citada de forma distorcida. A razão é usada para enganar os agnósticos, a dúvida para enganar os céticos, a descrença para os ateus, e a Bíblia para os Cristãos. Temos que abrir bem os olhos, temer a Deus e clamar pela orientação dAquele Espírito que guia a toda a verdade, e aplicarmo-nos diligentemente ao estudo das escrituras. Será que Deus não amava a Seu próprio Filho suficientemente para toma-lo nas mãos? Lembro-me de situações em que mulheres apaixonadas fizeram exigências completamente ilógicas a seus maridos ou namorados para que provassem seu “amor” por elas. Isso não é amor, mas sim, paixão egoísta e orgulhosa. “Não tentarás o Senhor teu Deus” 13, foi a resposta direta do Messias.

Nesta altura o leitor provavelmente já percebeu que o Originador da sabedoria e do conhecimento não perdeu tempo com a utilização de argumentos, raciocínios e racionalizações humanas, mas era consistente no uso de um “assim diz o Senhor”. É lamentável que na grande maioria das reuniões teológicas e políticas esteja-se tomando decisões vitais baseadas em um “assim diz o homem”, pois até mesmo a prosperidade de um governo terreno ocorre na medida em que este é fiel ao propósito divino para sua existência. Desta forma a sociedade é moldada pela mente do homem, cuja imagem tem sido cada vez mais degradada à semelhante satânica. Como estaríamos melhor se tomássemos todas as nossas decisões baseadas em um claro “assim diz o Senhor”. O arque enganador, persistindo, aplica sua investida final. “Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles. E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares” 14. Somente agora revela suas verdadeiras intenções, as mesmas que o levaram a ser expulso do céu. O mundo e tudo o que nele há pertencem ao Criador, mas seu domínio foi passado temporariamente ao inimigo de Deus e do homem quando Adão o entregou em suas mãos através de seu ato de desobediência. Desta vez Jesus foi tentado pela ambição. Quão fácil seria se tão somente se prostrasse! Quanto sofrimento teria sido evitado! Não seria mais necessário morrer na humilhante e amarga cruz onde eram cravados os piores criminosos, se apenas se prostrasse em adoração. Que grande mentira! Mas desta vez a mesa foi virada! O Salvador da humanidade rejeitou o presente de grego. Com uma poderosa ordem, cheia de autoridade divina, a qual temos também o privilégio de possuir, disse: “Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás” 15.

Há um provérbio que diz que o peixe é pego pela boca. Assim também é com o homem. Já imaginou se Cristo tivesse transformado as pedras em pães? Ou melhor, se Eva não tivesse comido do fruto proibido? Nunca nenhum de nós teríamos experimentado pitada alguma de sofrimento, mas hoje o comemos à base de colheradas. Você já se perguntou o por quê de tanta luta sem vitória, parecendo haver pouco ou nenhum progresso? Não consegue compreender a razão pela qual tão facilmente cai em tentação, ficando irritado, impaciente e iracundo? Por que é tão difícil perdoar ou controlar pensamentos imorais que forçam entrada na mente? Por que o dinheiro, status e posição frequentemente ganham a supremacia do ser? Jesus Cristo voltará para buscar um povo irrepreensível, “os que guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus” 16. Como podemos chegar a ser irrepreensíveis diante de um Ser tão santo?

“E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” 17. É necessário que haja santificação em todos os aspectos: Físico, mental e espiritual. O apetite é um elemento chave, tanto para a salvação, quanto para a perdição. “A força dominante do apetite demonstrar-se-á a ruína de milhares quando, se houvessem triunfado nesse ponto, teriam tido força moral para ganhar a vitória sobre qualquer outra tentação de Satanás. Os que são escravos do apetite, no entanto, deixarão de aperfeiçoar o caráter cristão... à medida que nos aproximamos do fim do tempo, a tentação do inimigo para ceder ao apetite será mais poderosa e difícil de vencer” 18.

Em meio a um mundo corrompido, Jesus nos chama a ser santos assim como Ele é santo e perfeitos assim como Ele é perfeito. Jamais pediria algo que não tivéssemos condições de dar, ou que Ele mesmo não tenha feito ou fosse capaz de fazer. “Todas as Suas ordens são promessas habilitadoras” 19. “A ordem: 'Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste', nunca teria sido dada se não houvesse sido tomadas todas as providências pelas quais pudéssemos tornar-nos tão perfeitos em nossa esfera como Deus é na Sua” 20.

“Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono” 21. “Deus nos convida a alcançarmos a norma da perfeição, e põe diante de nós o exemplo do caráter de Cristo. O Salvador mostrou, por meio de Sua humanidade consumada por uma vida de constante resistência ao mal, que, com a cooperação da Divindade, podem os seres humanos alcançar nesta vida a perfeição de caráter. Esta é a certeza que Deus nos dá de que também nós podemos alcançar a vitória completa” 22. Desta forma todo o universo será testemunha de que Deus foi justo ao dar uma lei que pode ser obedecida perfeitamente e, ao mesmo tempo, misericordioso ao livrar o ser humano da consequência de sua transgressão, a morte, enviando Seu filho amado para pagar o preço dos nossos pecados e deixar-nos o exemplo de uma vida vitoriosa.

“Torne-se manifesto que tendes viva ligação com Deus e que sois ambiciosos da glória do Mestre, procurando cultivar em vós mesmos toda beleza de caráter com que possais honrar Aquele que deu a vida por vós” 23. Deseja você entregar seu apetite, paixão e ambição nas mãos de Cristo, e permitir que Ele opere em Sua vida “tanto o querer como o efetuar, segundo a Sua boa vontade”? 24. Se deseja, não perca tempo, faça-o agora!

Bibliografia
1.Mateus 24:37-39
2.Lucas 17:28
3.Isaías 14:13
4.Levítico 11:44 e Mateus 5:48
5.Gênesis 3:6
6.João 17:3
7.Romanos 12:2
8.Filipenses 2:5, versão King James
9.1 Pedro 2:21-22
10.Mateus 4:3
11.Mateus 4:4
12.Mateus 4:6
13.Mateus 4:7
14.Mateus 4:8-9
15.Mateus 4:10
16.Apocalipse 14:12, versão King James
17.1 Tessalonicenses 5:23
18.E.G.W., Conselhos Sobre o Regime Alimentar, pág. 59
19.E.G.W., Parábolas de Jesus, pág. 333
20.E.G.W., Exaltai-O, pág. 124
21.Apocalipse 3:21
22.E.G.W., Atos dos Apóstolos, pág 531
23.E.G.W, Fundamentos da Educação Cristã, págs. 294-295
24.Filipenses 2:13

Fonte: Literalmente Verdade
(http://literalmenteverdade.blogspot.com/2010/05/tres-passos-para-vitoria.html)

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