domingo, 23 de maio de 2010

Crises no Movimento Adventista

Por: Gilson Medeiros
Hoje, na discussão sobre a lição da Escola Sabatina desta semana, surgiu um comentário sobre o Panteísmo, que defende que Deus não é o “Criador” da Natureza, mas Ele seria a própria Natureza em si. Ou seja, para um panteísta, Deus está em tudo: no homem, no animal, na árvore, na pedra, no rio, no mar, etc.
Lembrei na ocasião do estudo que uma das primeiras grandes crises teológicas da nossa Igreja foi exatamente sobre este assunto, quando o Dr. Kellogg passou a defender o Panteísmo, indo em oposição às claras orientaçoes bíblicas e da própria Ellen White, que foi veementemente contra as declarações de Kellogg.
Mesmo após várias tentativas de que o Dr. Kellogg revisse sua posição herética, ele não cedeu, e em 1905 o relacionamento entre a Conferência Geral e o Dr. Kellogg foi interrompido. E no dia 10/11/1907 ele foi desligado do rol de membros da Igreja de Battle Creek.
Infelizmente (apesar de ser profético – cf. Apoc. 12:17) a Igreja Adventista sempre sofreu com líderes que passaram a defender pontos doutrinários divergentes e equivocados, e provocaram grandes traumas e “rachaduras” entre a comunidade de crentes no Advento.

Os grupos religiosos parecem inclinados à fragmentação, e isso também ocorreu no seio da IASD. Vários fatores parecem encorajar o cisma dentro das igrejas:
• A insatisfação com a liderança (espírito de revolta);
• A pretensa descoberta de “nova luz”;
• Problemas pessoais de egocentricidade;
• Desequilíbrio mental;
• Especulação;
• Apostasia.
Quero aproveitar o tema para relembrar, além do Panteísmo de Kellogg, outros momentos que também trouxeram grandes dificuldades para a Igreja.
Robert Brinsmead
Nenhum movimento dissente foi mais problemático para os líderes adventistas do que o iniciado por um estudante do Colégio da Austrália, no fim da década de 1950: Robert Brinsmead.
Uma nova interpretação da distintiva doutrina Adventista da “Purificação do Santuário” tornou-se o ponto chave da ênfase de Brinsmead. Ele introduziu um novo tipo de “perfeccionismo”. Ligando Lev. 16 com Daniel 8:14, Brinsmead argumentava que uma vez que durante o juízo investigativo a justiça comunicada e imputada de Deus realiza um milagre (que é apagar todos os pensamentos e emoções pecaminosos dentro de nós), a pessoa teria de abandonar cada pecado para que esta “justificação” fosse efetiva e de fato pudesse ocorrer. Somente sobre indivíduos tão aperfeiçoados é que a chuva serôdia cairá. Estes então sairão para dar ao “alto clamor” (Ap. 18) e levar a tríplice mensagem para muitos, cujo tempo de provação não tinha ainda terminado.
Sua atitude crítica diante dos líderes da Igreja e suas divergências doutrinárias consolidaram a Brinsmead a ser desligado do rol de membros de sua igreja local, no verão de 1961. Similar posição foi tomada contra outros seguidores seus. Como ocorreu com outros grupos dissidentes, os seguidores de Brinsmead logo cedo começaram a discordar entre si, o que veio a enfraquecer o movimento.
Ainda hoje este “perfeccionismo” pregado por estes grupos daquela época ainda está presente na mente de muitos Adventistas, que fazem da religião uma desesperada “via crucis”, sempre se policiando para não pecar em atos ou palavras, e quando caem em pecado (o que é inevitável), sua fé se enfraquece e acabam por abandonar a Deus, porque pensam que jamais serão tão perfeito o bastante para que Ele os ame.
Desmond Ford
A controvérsia do Dr. Ford começou num encontro chamado “O Fórum Adventista”, reunido no campus do Pacific Union College, em 27 de outubro de 1979. Ele ali estava como “empréstimo” para esta instituição, vindo da Divisão Australiana e do Avondale College, onde tinha sido o chefe do Departamento de Teologia. Ele, naquela ocasião, apresentou o tema: “O Juízo Investigativo – Marco Teológico ou Necessidade Histórica?”.
A maior tese do Dr. Ford foi a de que o dia da expiação está ligado intimamente a Heb. 9 e 10, e que quando estes capítulos parecem falar do aparecimento de Cristo na presença de Deus no lugar Santíssimo na Sua ascensão, em 31 d.C., claramente aponta para o início do antítipo dia da expiação – e que este evento não envolve a obra do juízo investigativo. Segundo o Dr. Desmond Ford não há juízo investigativo começando em 1844, como afirmam os ASD e os escritos de Ellen White. O que aconteceu em 1844, segundo ele, foi o surgimento do povo Adventista para proclamar o evangelho em sua plenitude, assim que todos que ouvirem serão julgados por sua resposta à mensagem do evangelho.
Uma Comissão especial de líderes Adventista foi formada para analisar o material do Dr. Ford, chegando à conclusão de que ele estava equivocado em seus ensinos.
No dia 2/9/1980, a comissão consultiva do presidente da Conferência Geral analisou cuidadosamente a situação do Dr. Ford sob 4 aspectos:
• A falta de clareza, suas ambigüidades, sua falta de concisão nas respostas poderiam facilmente se tornar causa de conflitos futuros e relacionamento administrativo infeliz.
• A comissão de revisão do santuário rejeitou seus argumentos sobre o santuário celestial, juízo investigativo e função de EGW na Igreja como nas distintas crenças destas áreas.
• O Dr. Ford não aceitou nenhum conselho individual ou das comissões que estudaram seu caso. Além disso, falhou no senso de sua responsabilidade porque o efeito de suas palestras e da distribuição ampla de seus escritos e fitas estavam causando divisões dentro da Igreja em diversos continentes.
• Embora o Dr. Ford ter garantido que só trabalhava para garantir a unidade da Igreja, ele tomou atitudes subversivas para o bem-estar desta.
À luz destes fatos, a Comissão Consultiva recomendou à Divisão Australiana que fosse dado ao Dr. Ford a oportunidade de uma retirada voluntária das funções de ensino e do ministério pastoral, e neste caso suas credenciais se tornaram inválidas.
Porém, muito estrago já tinha sido feito, e dezenas de líderes e membros da Igreja já haviam se influenciado pelos escritos do Dr. Ford, e abandonado a crença Adventista.
Antitrinitarianismo
Mais recentemente a Igreja Adventista vem sofrendo “novo” ataque em suas doutrinas, desta vez com relação à Trindade.
Muitos têm se levantado em questionamento à interpretação que a Igreja dá para a Pessoa do Espírito Santo, Sua personalidade, definição e atuação junto à Divindade.
Aqui mesmo no blog [referência ao blog fonte deste artigo] é possível encontrar bom número de materiais que mostram os erros dos dissidentes antitrinitarianos e como eles, a exemplo de todos os outros que se levantaram contra a Igreja do Senhor, também estão caminhando por uma senda que só leva à confusão, discórdias, desesperança e, por fim, a apostasia – basta ver o fim que levaram Kellogg, Brinsmead, Ford, entre outros.
Apesar de todas as lutas, batalhas, deserções, críticas e discórdias (que até hoje ainda surgem em nosso meio), a Igreja Adventista do 7º Dia tem demonstrado seu chamado celestial para ser a ÚLTIMA Igreja a preparar o mundo para a vinda de Cristo.
Esta postagem foi baseada e adaptada de apontamentos de sala de aula do Dr. Luiz Nunes (SALT-IAENE) e do Dr. Timm (SALT-UNASP).
Testemunhos do Espírito de Profecia
“A Igreja de Cristo na Terra será imperfeita, mas Deus não destrói Sua igreja por causa de sua imperfeição” – Igreja Remanescente, pág. 42. “Digo novamente: O Senhor não falou por nenhum mensageiro que chame a igreja que observa os mandamentos de Deus, Babilônia. É verdade que há joio com o trigo, mas Cristo disse que enviaria Seus anjos para juntar primeiro o joio e atá-lo em molhos para ser queimado, mas recolher o trigo no celeiro. Sei que o Senhor ama Sua Igreja. Ela não deve ser desorganizada ou esfacelada em átomos independentes. Não há nisto a mínima coerência; não existe a mínima evidência de que tal coisa venha a se dar. Aqueles que derem ouvidos a essa falsa mensagem e procurarem fermentar outros, serão enganados e preparados para receber mais avançados enganos, e virão a nada. Há em alguns dos membros da Igreja orgulho, presunção, obstinada incredulidade, e recusa a ceder em suas idéias, embora se amontoe prova sobre prova, que faz aplicável a mensagem à igreja de Laodicéia. Mas isto não extinguirá a Igreja. Deixai que tanto o joio como o trigo cresçam juntos até à ceifa. Então os anjos é que farão a obra de separação” – Idem, pág. 60-61.
“Cobro ânimo e sinto-me abençoada ao reconhecer que o Deus de Israel está guiando o Seu povo, e continuará com eles até o fim” – Test. Seletos, 3:439.
“A mensagem que declara a Igreja Adventista babilônia e chama o povo de Deus a sair dela, não vem de nenhum mensageiro celeste, ou nenhum instrumento humano inspirado pelo Espírito de Deus” – Mens. Escolhidas, 2:66.
“O Senhor deu a Seu povo apropriadas mensagens de advertência, repreensão, conselho e instrução, mas não é próprio tirar estas mensgaens de sua conexão, e pô-las onde pareçam reforçar mensagens de erro. No folheto publicado pelo irmão S e seus companheiros, ele acusa a Igreja de Deus de ser babilônia, e insiste em que haja uma separação da Igreja. Esta é uma obra que não é honrosa nem justa. Compondo aquele folheto, serviram-se de meu nome e de meus escritos para apoio do que eu desaprovo e denuncio como erro” – Test. para Ministros, pág. 36.
“Alguns há que apanham da Palavra de Deus e também dos Testemunhos parágrafos ou sentenças destacados que podem ser interpretados de maneira a se ajustarem às suas idéias, e nelas se detêm, e encastelam-se em suas próprias posições, quando Deus não os está dirigindo. Aí está o vosso perigo.
Tomais passagens dos testemunhos que falam do fim do tempo da graça, da sacudidura do povo de Deus, e falais da saída dentre esse povo de um outro povo mais puro, santo, que surgirá. Orá, tudo isso agrada ao inimigo” – Mens. Escolhidas, 1:179.
Sugiro, para uma maior compreensão dos temas aqui levantados, a leitura das seguintes obras:
  • Ellen G. White, A igreja remanescente. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira.
  • George R. Knight, A mensagem de 1888. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira.
  • ________. Em busca de identidade. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira.
  • ________. Uma igreja mundial. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira.
  • Luiz Nunes, Crises na igreja apostólica e na igreja adventista do sétimo dia. Engenheiro Coelho, SP: Imprensa Universitária Adventista, 2002.
  • Lygia de Oliveira. Na trilha dos pioneiros. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira.
“Reinos pereceram, tronos e nações,mas a Igreja vence, mesmo em aflições” – Hino nº 344 do Hinário Adventista
Publicado orignalmente em Blog do Gilson Medeiros.

Nenhum comentário:

Postar um comentário