terça-feira, 9 de março de 2010

Igreja Primitiva X Laodicéia

Desde o começo da minha caminhada cristã (iniciada, infelizmente, só aos 19 anos de idade), eu percebi um abismo muito forte entre a PRIMEIRA e a ÚLTIMA IGREJA do Senhor.'
A primeira é a que encontramos no livro de Atos. A segunda, no Apocalipse.
Uma é descrita como unida, alegre, evangelizadora, atuante, altruísta, benevolente, cheia de graça… a outra é morna, arrogante, orgulhosa, auto-suficiente, infeliz, miserável, pobre, cega e nua.
Paulo também escreveu uma carta para a Igreja dos Laodicences (cf. Col. 4:16). Será que foram as mesmas palavras de João no Apocalipse?! Não sabemos… ainda!
A Igreja Primitiva não tinha tanto conhecimento teológico, doutrinário ou mesmo “técnico” para levar avante a pregação de sua fé, mas eles tinham o principal: o Espírito Santo impregnado em suas vidas. Isso foi o suficiente para levar o Evangelho a todo o mundo conhecido de sua época.
Por que?

Ela valorizou mais a prática do que a teoria religiosa.
A Igreja de Laodicéia tem um vasto conhecimento, nas mais diversas áreas da vida cristã; tem uma estrutura mundial que lhe dá uma ampla sustentação para o avanço da pregação; utiliza os mais modernos meios tecnológicos para difundir o Evangelho Eterno; mas não é descrita com as mesmas qualidades da Igreja de Atos (2:41-47; 4:31-35).
Por que?
Ela valoriza mais a teoria religiosa do que a prática da fé.
O amor do Senhor pela Igreja de Laodicéia é o que O motiva a estender seu período de graça. Aliás, conforme a própria Mensageira do Senhor para estes últimos dias, “para Deus, o mais caro objeto na Terra é a Sua Igreja” (Parábolas de Jesus, pág. 166).
Mesmo “débil e defeituosa”, Ele não a tem rejeitado, pois a ama com um amor que nasceu na Eternidade.
Mas, ao invés de fazer com que esta Igreja se acomode em sua “vidinha morna”, este maravilhoso amor divino deveria impulsionar nela o deseja de mudar, de renascer, de “esquentar”.
Um dos traços que mais me chamam a atenção na Igreja de Atos é a qualidade da comunhão que seus membros mantinham entre si. Nas entrelinhas dos textos bíblicos podemos ver um povo feliz, animado, vibrando por amor a Deus e a seus irmãos e irmãs. Uma comunidade de fé que nem os maiores pensadores do Socialismo dos séc. XIX e XX poderiam almejar. Aliás, a ÚNICA comunidade verdadeiramente Socialista na História deste mundo foi aquela que nasceu das palavras de Jesus e da liderança dos apóstolos. Depois dela, nenhuma outra existiu com tanta valorização do significado de “UNIDADE”.
E hoje? Como é que está o “remanescente” daquela Igreja tão amada e amante?
Neste trimestre, por exemplo, estamos novamente estudando sobre a manifestação do Espírito Santo em nossas vidas. Já reavivamos os conceitos de amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade[....] Mas, em que isto modificou a minha ou a sua vida? Até que ponto nos tornamos mais amorosos, alegres, pacientes, etc.? Foi apenas mais uma teoria relembrada, ou deixamos que o Espírito Santo, o Consolador Prometido, nos tenha moldado ao longo destes últimos 50 dias?
Pregamos sobre o amor, mas não aprendemos ainda como amar…
Pregamos sobre perdão, mas não aprendemos ainda a perdoar…
Pregamos sobre fé, mas não aprendemos ainda a mantê-la nas horas de duras provas…
Pregamos sobre salvação, mas não nos sentimos “lavados pela graça” de Cristo…
Pregamos sobre evangelização, mas não sentimos ainda o desejo de sair de nossos casulos para irmos em busca dos perdidos…
Lemos na Bíblia que Jesus mandou que nos perdoássemos SETENTA VEZES SETE VEZES, e não impôs condições para isso. Dá um bonito sermão para um sábado de manhã… mas na prática…
“Onde abundou o pecado, superabundou a graça…” (Rom. 5:20). Que texto lindo!
Talvez seja esta a “segurança” de Laodicéia. A graça tem sido superabundante, pois os pecados são muitos: indiferença, egoísmo, hipocrisia, falsidade…
Não podemos evitar o PERÍODO da Igreja de Laodicéia… mas podemos, sim, não permanecer no ESTADO dela.
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Se você conhece algum “ex-irmão” ou “ex-irmã”, tire um tempinho nesta nova semana para orar por esta pessoa.
Mas, ande uma segunda milha e diga a esta pessoa que você entende sua dor, e que ela continua sendo importante para você, para a Igreja e para Deus. Mande um torpedo, um e-mail, ou ligue. Se quiser e achar que pode fazê-lo, ande a “terceira milha” e faça-lhe uma visita, não para falar do passado, mas da graça que há no presente e no futuro.
Você não imagina o bem que isto faz!
“… e em todos eles havia abundante graça” (Atos 4:33).
Autor: Prof. Gilson Medeiros

Publicado com alterações. Publicado originalmente em Blog. do Prof. Gilson Medeiros.

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