quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Para Quem?


- O que você está ouvindo? - perguntou Rogério ao colega de trabalho ao lado. Ambos estavam sentados no coletivo, voltando para seus bairros ao término do dia.

- Gospel - respondeu Zaqueu sacolejando a cabeça ao ritmo do som. Tirou um dos fones do ouvido e o ofereceu ao amigo.

Rogério colocou o fone e fez uma careta.

­- O que é isso, Záque?

­- Louvor, ué! - respondeu o colega, ainda balançando a cabeça no ritmo violento do som de bateria e guitarra ecoando aos ouvidos.

- Louvor para quem?

Zaqueu pensou para responder, mas finalmente disse, com certa dúvida:

­- Para Deus!?

- Pode me chamar de careta, mas não consigo imaginar Deus sentado em Seu trono, chacoalhando a cabeleira branca, enquanto os anjos tocam rock'n'roll ou outras melodias pop.

- Ah, Rogério, eu gosto desse ritmo. Creio que Deus não Se importa com isso, ainda mais quando a letra é sacra.

- Está bem, mas não chame isso de louvor. Não para Deus. Pode ser um louvor para você. Você está cultuando seu gosto pessoal e não O adorando.

- Deixa de ser chato - disse Zaqueu e cutucou uma espinha no queixo.

- Ótimo argumento o seu. Sou chato por não acreditar que esse tipo de música agrade a Deus. Meu amigo, se você gosta, tudo bem, mas não minta para si mesmo, alegando que Deus aceita tudo o que você aprecia. Eu gosto de muitas coisas também; coisas que não agradariam a Deus. Abandonei muitas práticas para tentar ser igual a Jesus e me aproximar dEle. Seria muito fácil se Jesus Se transformasse à minha imagem e ficasse igual a mim. Perdoe-me pelo sermão, mas acho que o cristianismo pede justamente o contrário: que nós nos transformemos à imagem e semelhança de Deus, como fomos criados no Éden.

- Faz sentido - concordou o jovem, retirando o fone do ouvido e prestando atenção.

- Olha, vivemos numa guerra em que o que está em jogo é, justamente, quem vamos adorar. Vamos cultuar este mundo, nossos gostos pessoais ou ao Criador? Ao louvarmos, a pergunta não é "Isto me agrada?", mas "Isto agrada a Deus?" O louvor não é para mim, para minha carne, é para Deus.

Os pneus do ônibus chiaram com a frenagem. Os jovens desceram naquele ponto e continuaram caminhando à luz dos postes. Despediram-se numa das esquinas e Zaqueu chegou em casa. Jogou a mochila no canto da sala e atirou-se no sofá, pensando nas palavras de Rogério.

Buscou na mente uma data que indicasse a última vez que havia sentido o louvor fluindo de si para o alto. De fato, ouvia músicas evangélicas o tempo inteiro, mas a grande maioria parecia ir ao encontro apenas de suas necessidades e gostos humanos. Há muito não louvava a Deus de verdade.

Buscou na estante um CD de hinos, que sua mãe tinha comprado havia algum tempo. Colocou-o no aparelho e escolheu a música. O som inundou o pequeno ambiente e eriçou os pelos dos braços e da nuca de Zaqueu. O jovem acompanhou toda a música, cantando com uma voz melodiosa. Sentiu um calor no peito e reconheceu o que estava fazendo: adorando e louvando ao Criador.

Por Denis Cruz


Denis Cruz é formado em Direito, atualmente trabalha como servidor do Ministério Público no Estado do Mato Grosso do Sul, onde reside na cidade de Mundo Novo. Autor do livro ALÉM DA MAGIA, tem se dedicado, ultimamente, à escrita de contos contendo valores cristãos e livros de mesmo cunho.

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