domingo, 31 de janeiro de 2010

O Demônio da Bateria

Uma das mais pertinazes e irritantes discussões sobre música sacra envolve o conjunto de instrumentos percursivos que chamamos de bateria. Será que bateria pode ser usada na música sacra? A renitente dúvida divide opiniões há décadas. Poucos se deram conta de que se trata de uma indagação inútil, por dois fatores principais:

1.Não é um instrumento que determina se a música é sacra ou não: um instrumento não serve de nada, a não ser como meio de expressão. O que o indíduo expressa como forma de arte é o que precisa ser avaliado. A bateria pode ser usada para louvar a Deus? Associada a outros instrumentos, a bateria pode ser usada como instrumento de louvor, quando utilizada de forma que não caracterize um ritmo ou gênero musical popular. O mesmo vale para, praticamente, todos os demais instrumentos. Infelizmente, tendemos facilmente a erguer a voz quando a percursão se destaca, aproximando-se do rock, mas poucos reclamam quando alguém toca um violão e dá a um hino a roupagem de bossa-nova. Tudo depende do coração do músico, que definirá que tipo de arranjo será executado. Pena que ainda existam pessoas que imagem que o diabo inventou a bateria para desviar o povo remanescente do louvor celestial; ou que, a semelhança dos pregadores pentecostais, aleguem haver um espírito demoníaco na bateria, capaz de possuir a mente daqueles que ouçam seu som mefistotélico;


2.O que se discute, em verdade, é a presença física da bateria: se a bateria pode fazer parte de nossas canções? Ora, sinto informar os desavisados, mas a bateria já é “de casa” há tempos. Você não vê, mas ela se apresenta na maioria dos play-backs, algumas vezes de forma apropriada, em outros casos, inadequadamente. Algumas equipes de louvor utilizam baterias eletrônicas ou sintetizadores, produzindo o mesmo tipo de som da bateria convencional. E a rejeição ao tipo de música produzida não é maior simplesmente pelo fato de que a bateria não se apresenta “pessoalmente” na igreja. Aliás, convenhamos: com emprego massisso dos supra-citados play-backs, nem instrumentos musicais ou instrumentistas podem ser encontrados, tal o efeito de acomodação que a música “pronta” vem causando.

Portanto, ao invés de se discutir se a bateria é ou não lícita, gostaria que as discussões sobre música sacra subissem de tom (com perdão do trocadilho) e passassem a considerar tópicos como os seguintes:

1.Como desenvolver abordagens para seleção de música cristã nas igrejas locais e instituições? Não basta que comissões da Associação Geral ou da Divisão Sul-Americana lancem diretrizes, se não existe empenho da parte de líderes locais de estudar o assunto em espírito de oração e promover seminários, treinamentos e reflexões. Os encontros nacionais de músicos que existem são poucos e, até onde sei, lidam pouco com a Filosofia denominacional, concentrando-se no desenvolvimento de habilidades e técnicas;

2.É justo que nossas emissoras de comunicação apresentem algumas músicas sabidamente descompremetida com os ideais adventistas, apenas sob pretexto de evangelismo indireto? Como se sabe, o evangelismo indireto constitui uma forma de atrair a massa de evangélicos, veiculando músicas de cantores que, além de não pertecerem à denominação adventista, possuem um conceito musical bem diverso do nosso. Na prática, o evangelismo indireto vem produzindo muitos frutos: ele “evangeliza” os adventistas, influindo em seus gostos de forma, muitas vezes, determinante. Não à toa, alguns cantores de congregações locais levam para os cultos músicas de Luis de Carvalho, Aline Barros, Regis Danesse e por aí vai;

3.Como incentivar e apoiar a formação musical dos jovens? Denominações pentecostais, como a Assembleia de Deus e a Congregação Cristã do Brasil, dão incentivo à formação de orquestras locais. Os adventistas ficaram dependentes do play-back que, se por um lado tem sua valia em termos de auxiliar igrejas sem estrutura musical a curto prazo, impede que haja um desenvolvimento dessas estruturas a médio e longo prazo. Boa parte dos músicos não possui nenhum tipo de formação, apenas cantando ou tocando intuitivamente, ou “de ouvido”, como se diz. Isso ajuda a entender porque alguns cantores emulam outros cantores, quer cristãos ou seculares, sem conseguir apresentar uma voz própria. Precisaríamos incentivar o estudo da música, criando conservatórios orientados pela nossa ideologia;

4.O que fazer para desenvolver uma liturgia correta e relevante? Com a onda dos worships, muitos adventistas aprenderam a levantar as mãos, e se abraçarem enquanto louvam. Isso tem sido aclamado por muitos como uma evolução, pois estaríamos nos aproximando do verdadeiro espírito de adoração. Esses que me desculpem, mas se isso for realmente o correto, então temos de reconhecer: nós adventistas estamos atrasados em relação aos pentecostais, que já louvavam a Deus dessa forma muito antes de nós. Seríamos, nesse caso, a “cauda” e não a “cabeça”. Por favor, não me entenda mal: não sou contra a espontaneidade durante a adoração através da música. Mas se a música ou a equipe de louvor nos condiciona a levantar a mão, e a fazê-lo em um momento preciso, e não em qualquer outro instante, que é feito da espontaneidade tão alegada? Não precisamos ficar inamovíveis, ou seguir uma sequência na ordem do culto sob o argumento de que “sempre foi feito assim e devemos continuar assim”. O que a Bíblia diz sobre o assunto? O que realmente agrada a Deus? Apenas a sinceridade? E se eu sinceramente quiser adotar o domingo como dia santificado, isso é válido? Então, qual deve ser o limite para minha liberdade cúltica? Essas e tantas outras questões precisam ser respondiadas com um claro “Assim diz o Senhor”, levando-se em conta que o culto também precisa ser relevante às pessoas de determinada cultura, a fim de ter significado para elas.

Enquanto muitas ações poderiam já se iniciar e muitas medidas positivas serem ao menos traçadas, exatamente agora, em algum lugar do país, dois ou mais irmãos estão trazendo à baila se a bateria... 



Leia também:


Fonte: Questão de Confiança
(http://questaodeconfianca.blogspot.com/2010/01/o-demonio-da-bateria.html)

5 comentários:

  1. se o bill ward pegar uma batera dessa ai ele destroi na primeira , e eu tambem!!!!

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  2. ai cara vce naum sabe o qe tah falando... vai ler a biblia

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  3. É interessante Fernando, que é justamente essa a intenção do blog Comportamento Cristão: Fazer com que as pessoas leiam mais a Bíblia.

    Mas apenas ler não resolve. Devemos ler em espírito de oração, buscando a verdade, ainda que estavá de encontro às nossas vontades.

    E que Deus nos abençoe a todos!

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  4. Bom queridos amigos eu acho que bateria, ou qual quer outro estrumento não tem nada aver com a adoração pq uma vez q ele foi comprado e comsagrado pertence a Deus e a pessoa que usa tem que ser um (a) preparado (a) levita para usalo. pq no salmo 150 fala "Todo que tem folego louve ao senhor" temos que parar com isso e nos importarmos mais com Deus.

    Que Deus Abençoe a todos.

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