quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Pregar a mensagem Adventista

Sou Adventista do Sétimo Dia de berço. Isso quer dizer que conheço a Igreja há 34 anos, certamente melhor a partir da minha adolescência. Ao longo deste tempo (pouco, considerando os quase 150 anos da nossa história mundial), aprendi o que é a Igreja Adventista do Sétimo Dia: porque surgimos, o que defendemos, o que nos motiva, enfim, aquilo que somos.

Julgo que um elemento fundamental se pode aferir da nossa própria cultura (aquilo que, enraizado na nossa vida, faz de nós aquilo que somos e determina o nosso proceder): as nossas diferenças.

Desde sempre fomos diferentes. Não o fomos em tudo desde o princípio; mas quando surgia motivo para nos demarcarmos de hábitos e comportamentos habituais da sociedade, nunca hesitamos em fazê-lo. Exemplos são a alimentação, o vestuário, os lugares que (não) frequentamos e o estilo de vida, além, evidentemente, das doutrinas.

E, ainda mais longe do que simplesmente ser diferentes, nunca tivemos qualquer tipo de problema, nem tampouco nos questionamos, sempre que tivemos de, pelo conteúdo da nossa pregação, confrontar ideias e conceitos há muito criados e estabelecidos na mente da esmagadora maioria das pessoas, que, confessemos, resultam por vezes em algum conflito.

Ultimamente tenho-me questionado se algo está a mudar neste aspeto...

Veja este exemplo, talvez para entender melhor o raciocínio.

Não será confortável, devemos admitir, pregar sobre Apocalipse 13, principalmente quando esmiuçamos a besta que sobe do mar e a identificamos com a Igreja Católica Apostólica Romana. No entanto, nunca na nossa história hesitamos em expor o assunto, pelo menos nas pregações nas nossas igrejas, colocando os nomes nos símbolos e provando-o pela Bíblia.

Não raras vezes, testemunhei-o eu, alguns dos ouvintes, de tão profundamente educados numa cultura católica que durante séculos foi a essência da sociedade europeia (o mundo de então era pouco mais do que isso), sentiram-se atacados e escandalizados com o que apresentamos pela Bíblia, desviando voluntariamente os ouvidos da verdade, preferindo o que desde sempre lhes foi agradável ao saber. E foi por isso que deixamos de o pregar? Não, não foi. Essa nunca foi uma opção entre nós!

Ou seja, nunca houve na Igreja Adventista um espírito de adaptação da mensagem em função da eventual reação do ouvinte! O que desde sempre houve, incluindo na igreja primitiva do Novo Testamento, foi uma adaptação de métodos e estratégias; não de princípios ou conteúdos da mensagem!

Nos últimos anos, tenho observado uma certa reserva, nunca antes observada, em fazer a pregação, por vezes incómoda, que está intrinsecamente ligada à nossa própria existência!

Subitamente ficamos com medo? Estamos tão receosos em insistir na nossa pregação (em toda ela, além do mencionado exemplo de Apocalipse 13) que estamos a errar, adequando a nossa mensagem aos interesses do mundo quando deveria ser exatamente o contrário? Estamos a perder o foco central da nossa missão porque o mundo não gosta de a ouvir? Estamos a erguer a voz apenas para anunciar o que é confortável e agradável e esquecemos as dramáticas e decisivas verdades para este tempo?

Pior é se estamos a chegar à conclusão que não podemos ser assim tão diferentes! Caro leitor, não só podemos como devemos agir sempre de maneira diferente - desde que de maneira fundamentada na Escritura, algo que nos auto-elogiamos em fazer!

Nunca se viu tal coisa como conformidade e adequação! Paulo chegou a Éfeso e não se demitiu de pregar Jesus, mesmo sabendo que haviam interesses económicos que seriam colocados em causa. Então, porque razão a Igreja Adventista de hoje parece menos empenhada em levantar a voz em favor da solene mensagem que, DESDE SEMPRE, foi a nossa pregação distinta? Porque razão algo está a mudar?

Mais ainda, sugiro que estamos a desperdiçar energias em pregações demasiados moles, meigas e suaves para provocarem a desejada mudança de coração no ouvinte.

Por favor, não pense que defendo uma pregação de confronto, conflito e luta contra o nosso próximo ou as suas crenças. Somente entendo que estamos a amolecer a mensagem para dessa forma, pensamos nós, ser mais fácil alcançar a simpatia dos que nos ouvem. Mas a verdade, dura e difícil como possa ser, é que provoca decisão de mudança; nunca a simpatia...

Caro leitor, mantendo um espírito de amor e honesto interesse pela salvação do próximo, amoleça estratégias e métodos; nunca a mensagem!

O ano passado ouvi um grande evangelista mundial a dizer: 'Deus chamou-me para dizer a verdade; não me chamou para agradar às pessoas'.

Façamos uma análise sincera e vejamos se estamos a agradar muito, mas a pregar pouco a verdade...
 

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