segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Conforto e Comodidade

A generalidade do mundo moderno vive hoje em tempos de relativo bem-estar. Principalmente na Europa, América do Norte, Austrália e outras zonas economicamente prósperas, nota-se em boa parte dessas sociedades alguma tendência para um considerável grau de conforto e comodidade, apesar deste fenómeno não ser ainda transversal, mas localizado. 


Desfrutámos hoje de alguns equipamentos e ferramentas que há bem poucos anos nem poderíamos imaginar. Com um pequeno aparelho de bolso conseguimos falar com qualquer pessoa em praticamente qualquer parte do mundo. Os inúmeros canais de televisão chegam massivamente aos lares, onde à enorme parafernália de electrodomésticos só falta antecipar a instrução humana. Os sistemas de aquecimento e refrigeração fazem de algumas casas verdadeiras mansões de bem-estar. A internet revolucionou por completo os métodos de fazer negócio e entretenimento, colocando à distância de poucos segundos o acesso a todo o tipo de informação. Os automóveis são cada vez mais seguros e fiáveis, dando por vezes a sensação de nem termos saído de casa.




No meio disto tudo, a vida diária ficou aparentemente mais fácil. Tarefas são executadas com maior rapidez e menos esforço. Grandes distâncias são cobertas em relativamente pouco tempo. Tudo faz crer que a modernização da sociedade nos tornará a vida sucessivamente mais fácil.


Não me debruçando agora sobre o exausto - ainda assim pertinente - tema do materialismo, reflito nas mensagens silenciosas que o conforto e a comodidade nos podem incutir na mente. 

Penso que onde há este bem-estar, ou pelo menos a sua aparência, é criada, ainda que de forma inconsciente, uma falsa sensação de segurança e fiabilidade. A nossa mente é educada de forma a se esforçar pouco e, acima de tudo, vigiar cada vez menos. Afinal de contas, estando tudo a rolar perfeitamente bem, que preocupações deveriam nos ocupar? 

Repare, caro leitor, que em nenhum ponto da Bíblia encontra o exemplo ou testemunho positivo acerca de alguém cujo destaque de vida tenha sido esse mesmo conforto de vida, ou que isso, de per si, lhe tenha resultado em benefício.

Relembre Abraão. Um homem a quem não deveriam faltar condições para uma vida confortável - ele tinha um exército próprio! - e cujo plano de Deus passou por deixar o seu lar e dirigir-se para o deserto. Ou Jó, homem de enorme riqueza material, mas cujo ponto marcante da sua vida - até aos dias de hoje ele é relembrado só por isso - foram as dificuldades que atravessou, no seu caso físicas. 

Será que, sem nos apercebermos, estamos a gastar demasiado tempo derrubando os pequenos celeiros que possuimos, para, ao construirmos maiores, nos regalemos na comodidade alcançada? (Leia Lucas 12:16-19)

Pelo contrário, verá que os grandes homens de Deus tiveram uma vida de esforço, sacrifício e abnegação

Que exemplo deixaram Paulo e Pedro, que se contaram entre os primeiros homens a proclamar Jesus após a Sua morte? Encontraram eles facilidades na sua vida e no seu ministério? Não, antes enfrentaram privação no decurso da sua caminhada terrestre! 

Quero sugerir que o conforto que hoje geralmente conseguimos desfrutar na sociedade moderna, pode arriscar o sério desvio das nossas prioridades para a segurança - como referi, falsa - que aquilo que é imediato nos permite vislumbrar para este mundo.

E quer ver um aspeto interessante? Por outro lado, uma vida marcada por privação, sacrifício, esforço dedicado e abnegação, tende sempre a focar as nossas perspetivas nos valores eternos, os tais que permanecem! 

Não estou a propor que dediquemos as nossas vidas à pobreza e à miséria a todos os níveis! Mas tenhamos cuidado quando, iludidos pelas facilidades temporais que podemos usufruir, deixamos de ver o quadro total daquilo que realmente este mundo vale. E quando por vezes se torna difícil definir claramente uma barreira a qual não queremos transpor, mais vale imaginá-la e ficar longe, bem longe de a atingir...

Em João 18:36, Jesus afirmou 'o Meu reino não é deste mundo', depois Dele mesmo ter dito sobre os crentes 'eles não são do mundo, tal como Eu não sou do mundo' (17:14). 

Devemos vigiar cuidadosamente: será que procuramos nesta terra, que não é o nosso lar, atingir demasiado conforto? Quando eu estou de viagem e fico temporariamente em algum lugar, eu sirvo-me apenas do que é essencial e indispensável! Você não faz o mesmo? 

Relembre-se, caro leitor: o nosso mundo não é este! Estamos aqui de passagem! Porquê, então, arriscar perder a viagem, valorizando demais o que é cá de baixo?... 

Fonte: O Tempo Final 
(http://otempofinal.blogspot.com/2009/11/conforto-e-comodidade.html)

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