sábado, 5 de setembro de 2009

Discípulos em Jerusalém

A Igreja Adventista de hoje é, creio, muito diferente daquela de há poucas décadas. O mundo mudou - e de que maneira - e a igreja também. E se muitas mudanças lhe podemos reconhecer, uma quero destacar: devido ao grande crescimento da Igreja, uma boa parte dos membros são Adventistas há relativamente pouco tempo.

Não tenho a mínima dúvida que esta tendência não apenas continuará como também se acentuará cada vez mais à medida que nos aproximamos do último dia da História - mais do que a estatística de nosso crescimento, a promessa da grandiosa obra que Deus efetuará serve de prova a isso mesmo.

Neste cenário, muitos desafios se colocam. Começando logo, pela nossa própria identidade, que não deve, nem pode, ser colocada em causa.

Recordo uma história significativa de uma campanha evangelística na Índia, na qual centenas de pessoas aceitaram Jesus através do batismo. Mas, exigiram ser batizadas nas águas do Ganges por se tratarem de águas abençoadas - segundo a cultura hindu, claro está! Enraizado durante gerações, esse hábito (para alguns doutrina ou mesmo filosofia de vida) não desapareceu de um momento para o outro. Da mesma forma, uma irmão da minha igreja confessou que quando se converteu à fé Adventista, há 30 anos, facilmente abandonou o cigarro mas manteve durante algum tempo certas reservas em relação à falsidade bíblica das manifestações marianas, muito populares em Portugal pelas aparições em Fátima.

E quando uma família inteira se converte, sem que nas suas relações mais próximas encontre pessoas que lhe sirva de referência para o novo estilo de vida que os identificará nitidamente como Adventistas do Sétimo Dia? A decisão e adaptação às mudanças que a nova fé impele pode tornar-se mais lenta e custosa e provocar algum choque, de todo desnecessário. Mas este é um processo incontornável; se o crente entra numa nova vida, algo, por vezes muito, tem mesmo de mudar.

Estes são alguns desafios que a igreja atual enfrenta. Repare, caro leitor, que digo a igreja enfrenta e não os novos membros enfrentam. Porque este é um assunto que deve ocupar aqueles que há mais tempo fazem parte desta fé.

Quero sugerir que cumpre àqueles que estão estabelecidos na fé Adventista há mais tempo, servirem de professores e instrutores para que novos irmãos e famílias se tornem Adventistas do Sétimo Dia de fato na sua vida diária e não apenas num certificado de batismo ou ao Sábado de manhã.

Quantos irmãos se batizam alegre e fervorosamente para logo de seguida, passado relativamente pouco tempo se sentirem abandonados pela igreja? Devemos lembrar-nos que eles estavam habituados a serem acarinhados e instruídos no conhecimento bíblico que, finalmente, levou à decisão do batismo. E será que essa instrução termina nesse belo ato? Será que não há necessidade de uma continuidade responsável no seu acompanhamento para que além de entrarem para a igreja se firmem nela também?

Tive o privilégio de nascer numa família Adventista. Por isso, sempre observamos o Sábado, sempre nos alimentamos segundo as normas bíblicas, etc.. Mas sei que para alguns novos irmãos, essas podem ser mudanças profundas que, embora as aceitem e desejem praticar, podem por vezes ser dificultadas por alguns obstáculos normais; e quão mais fácil lhes é de os ultrapassar se devidamente apoiados e suportados pelos irmãos mais experientes!

Consequentemente, estaremos a providenciar que não se percam os traços identificativos e distintos do nosso estilo de vida e modo de proceder, em relação àquilo que são as práticas que gostamos de chamar do mundo. Protegemos a igreja contra a invasão de hábitos que, como povo, nunca foram nossos e que jamais devem ser!

Sim, a missão do discípulo de Cristo não é apenas levar o evangelho a quem não o conhece mas também mantê-lo naqueles que o aceitam! Veja como Paulo ensinou este procedimento em I Tessalonicenses 3.

Se nos sentimos tão felizes e vitoriosos sobre o inimigo de Deus cada vez que uma alma se entrega a Jesus através das águas batismais e se torna membro da Igreja Adventista, não será o contrário uma derrota e tristeza para a igreja...?

Jesus deu ordem aos seus Seguidores para serem Suas 'testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra' (Atos 1:8). Ou seja, primeiro dentro de casa ('Jerusalém'), depois nos arredores e por todo o lado...

Fonte: O Tempo Final
(http://otempofinal.blogspot.com/2009/09/discipulos-ca-dentro.html)

Nota CC: Esse post é, com toda certeza, muito propício. Em nosso cotidiano falamos sempre na tarefa que Deus nos deixou para terminar, levar as promessas do reino a todo o mundo. Mas, por vezes, em algum momento do percuso, acabamos por falhar com os que são "de casa", que o Senhor capacite a cada um de nós para repensar esse tido de atitude.

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