terça-feira, 21 de abril de 2009

Um Planeta Poluído pelo Plástico

Será muito tarde para mudar?

Por Allan R. Handysides

Durante minhas viagens de trabalho, muitas vezes vejo cenas de desespero humano. Poucas situações me comovem mais do que ver seres humanos revirando lixo. Quando se trata de crianças, a cena é ainda mais dolorosa de se ver.

Apenas duas semanas antes de escrever essas palavras, observei, em agonia, jovens procurando comida em um lixão em Madagáscar. Anteriormente, durante outra viagem, vi pessoas vasculhando um enorme depósito de lixo, na Índia. Mais assustador foi saber que essas pessoas vivem na lixeira. Elas dormem ali, criam os filhos e morrem ali. Em meio ao lixo, a vida dessas pessoas se resume ao mero imperativo da existência. Como o Evangelho pode penetrar tal nível de necessidade?

Essas ideias foram recentemente salientadas quando li um livro de Alan Weisman intitulado O Mundo sem Nós. O autor é evolucionista, mas descreve sua visão do que aconteceria com a Terra se a humanidade fosse misteriosamente removida. Sua formação científica permite-lhe imaginar cenários e ainda pintar um futuro horrendo, se os homens e mulheres não desaparecerem do planeta.

Enorme Depósito de Lixo
Weisman descreve que a possibilidade de toda a Terra tornar-
se um enorme depósito de lixo é incontornável. Isso reforça 
minha crença de que Jesus precisa voltar logo e de que todos 
os seres humanos são parte do problema da poluição; portanto, devem ser parte de qualquer melhoria da condição da Terra.

No capítulo intitulado “Os Polímeros São Para Sempre”, Weisman descreve o trabalho de vários biólogos marinhos. Um deles, Richard Thompson, enquanto cursava a faculdade, ajudou a limpar uma das praias da Grã-Bretanha. Removendo algumas toneladas de lixo trazido para a terra todos os dias, ele observou que as maiores peças flutuantes pareciam ter sido trazidas pelo vento. Isso significa que ele estava limpando o lixo flutuante da Irlanda e Inglaterra, o qual estava se acumulando no litoral da Escandinávia. Ao contrário dos grandes materiais flutuantes, no entanto, Thompson encontrou uma enorme quantidade de pequenas partículas de lixo, geralmente despercebidas entre as garrafas, sacos plásticos, pneus de automóvel, pedaços de corda e tampas plásticas.

Hoje, como professor da Universidade de Plymouth, na Inglaterra, Thompson ressalta uma subespécie de partículas chamadas “nurdles”, encontradas nas águas em torno de Plymouth. Com o formato de pequenos bastões uniformes, medindo cerca de dois milímetros de comprimento, essas 
“nurdles” são a matéria-prima usada para criar produtos plásticos de qualquer formato concebível. Thompson diz que elas devem ter sido levadas pelas correntes por centenas de quilômetros, porque não existem fábricas de plástico na região de Plymouth.

A ação das ondas tritura as partículas plásticas em tamanhos cada vez menores. Quando os fragmentos da partícula foram analisados no laboratório de Thompson, ele descobriu que um terço eram fragmentos biológicos, um terço eram partículas plásticas e o outro terço, composto de partículas sem definição exata, mas são polímeros plásticos de alguma espécie.

No início do século 20, Alistair Hardy, também biólogo marinho, iniciou uma coleção de amostras do mar coletando o krill (crustáceo minúsculo, parecido com o camarão) em um dispositivo especial e concebido para ser arrastado para trás dos navios em movimento, no oceano.

A amostragem tem continuado desde o início do programa 
com o armazenamento de espécimes, fornecendo uma história cronológica dos oceanos em todo o século passado. O aparato draga cerca de dez metros abaixo da superfície coletando o krill. Essas pequenas criaturas são parte da 
camada rochosa da corrente alimentar da Terra. Elas ingerem 
minúsculas partículas e funcionam como uma micropeneira no oceano.

O plástico existe há apenas setenta anos e, na primeira metade do século, não esteve presente nas amostras. Nos anos 1960, entretanto, descobriu-se que os krills estavam ingerindo partículas plásticas. Lá pelos anos 1990, a presença de plástico no oceano havia triplicado.

O plástico não se decompõe; torna-se apenas mais particulado – pequeno o suficiente para ser ingerido pelo minúsculo krill. Estamos acostumados a fotografias de tartarugas comendo sacos plásticos, de pássaros estrangulados por linhas plásticas ou fios de nylon, mas os menores animais do mundo estão ingerindo micropartículas plásticas, com consequências letais.

Não é novidade para os fabricantes de plástico que seu produto não é biodegradável. Cientes das montanhas de lixo plástico, as fábricas criaram os sacos plásticos “biodegradáveis”, feitos de uma mistura de celulose e plástico. A celulose desfaz-se muito bem, pois é basicamente um açúcar, mas as partes plásticas permanecem − com a diferença de que, agora, estão em forma de micropartículas e mais facilmente levadas para o oceano.

Está em Toda Parte!
O plástico está em todo lugar. Recentemente, contei os frascos plásticos em meu próprio banheiro. Ao redor do perímetro da banheira, estavam dois frascos de xampu, dois de condicionador, um de sabonete líquido e um de sabonete facial. Na prateleira do outro lado do banheiro, estavam as embalagens plásticas do hidratante e dos medicamentos manipulados. O cesto de lixo estava vestido com um saco plástico. Percebi que minha escova de dente e a de cabelo são feitas de plástico, assim como o saco onde transporto meu “kit” de viagem. E não para por aí. Se o mundo continuar, daqui a mil anos, essas “utilidades” plásticas persistirão como detritos em alguma praia enferma.

Milhões de garrafas plásticas são usadas todos os dias por um incalculável número de pessoas cuja fonte de água é segura, mas preferem a conveniência de uma garrafa descartável. Em vez disso, um simples filtro pode tornar o sabor da água de qualquer cidade americana tão bom quanto o da água engarrafada. Por que não beber de uma garrafa de metal reabastecida em casa?

As partículas plásticas dos abrasivos faciais que usamos para nos embelezar escorrem pelo esgoto e finalmente, até o mar. Não em quantidade suficiente para serem levadas pelo vento, mas por poderosas correntes profundas. Weisman diz que elas estarão por ali “para sempre”.

Até mesmo quando limpamos a sujeira de nossos animais de estimação, colocamos seus excrementos em saco plástico. Nossa sociedade “descartável” transformou-se numa engrenagem em tão alta rotação que vastas áreas do oceano têm se tornado, lentamente, latrinas rotativas.

O giro subtropical do Pacífico Norte é um despejo de 16 milhões de quilômetros quadrados no oceano. Esse vagaroso sifão giratório do esgoto do Pacífico é um dos seis sistemas semelhantes existentes nos oceanos do mundo. Amostras desse atoleiro flutuante revelam que partículas plásticas superam o plâncton em seis vezes.

As partículas de plástico marinho têm a capacidade de agir como uma esponja para venenos como o DDT e o tóxico polychrotidae biplanos (PCBs). Antigamente, era usado para deixar o plástico mais maleável, mas devido à sua toxidade, em 1970, foi proibido. Mesmo assim, os fragmentos pré-1970 espalharão seu PCB por séculos, se tiverem oportunidade.

Tony Andrady, um dos maiores especialistas em plástico, diz: “Cada pedaço de plástico fabricado em todo o mundo durante os últimos 50 anos ainda permanece no meio ambiente.” Isso é mais de um bilhão de toneladas de material!

É provável que, para nós, seja inconcebível viver sem o plástico. Mas, pelo menos, devemos reciclá-lo. Atualmente, reciclar custa mais que produzir um novo, porque não contamos seu custo para o planeta. A reciclagem precisa tornar-se mais fácil e rentável, e os produtos reciclados deveriam receber incentivos ficais.

Mesmo as pequenas mudanças fazem grande diferença. Quando lhe derem a opção entre saco plástico ou de papel, em um supermercado, pode lhe parecer que optando pelo plástico, estará salvando as árvores. Escolha errada! Opte sempre pelo tecido ou saco de papel.

Quando Isso Vai Terminar?
Toda essa poluição acabará em breve? Felizmente, como adventistas, cremos que sim. Entretanto, enquanto formos incumbidos como mordomos da Terra e ocupá-la até Jesus voltar, mesmo os países considerados pequenos continuarão produzindo milhares de toneladas de sacos plásticos todos os meses. Quanto aos “nurdles”, são produzidos cerca de 113 bilhões de quilos por ano. É uma quantidade bem grande para um produto quase indestrutível! É esse o modo como as pessoas estão cumprindo seu papel como mordomos da Terra? É desta forma que estamos cuidando da criação de Deus?

O plástico é apenas um dos milhares de produtos descartados que nosso mundo consumista está produzindo. Com a disseminação da industrialização no mundo, a quantidade de resíduos de produtos está aumentando. Só os entulhos de nossos computadores “obsoletos” já são gigantescos. O dióxido de carbono está aquecendo o planeta e, ao mesmo tempo, sujando a atmosfera. Resíduos radioativos com meia-vida de milhares de anos, ainda estão sendo produzidos.

Já não é tempo de pensarmos seriamente em nossa parcela de culpa por encher a Terra com lixo? Certamente, como guardiões do planeta, precisamos aprender a consumir menos, conservar mais e cuidar melhor do que Deus criou com Suas mãos.

Em Apocalipse 11:18, a Bíblia fala que Jesus voltará para destruir aqueles que destroem a Terra. Quando menino, a Terra me parecia tão vasta, tão imensa, que para uma insignificante geração de homens e mulheres destruí-la parecia incompreensível. Hoje, com a população cada vez mais crescente e a proliferação industrial, a destruição da Terra parece muito possível, até mesmo provável. Ela está envelhecendo como uma roupa, e somos nós que a estamos vestindo!

Ao nosso planeta se encolher “embrulhado em plástico”, todo tipo de vida é espremido e distorcido. À medida que o mundo se torna mais e mais como um amontoado de lixo e poluição, Deus deve olhar para nós com espanto. Mais uma vez, estamos freneticamente envolvidos com a “cura” e desprezando a prevenção.

Pode ser muito fácil dizer: “Jesus um dia vai transformar tudo.” Mas não quero estar entre os que fizeram tudo errado! Certamente, respeitamos Deus o suficiente para honrar a obra das Suas mãos.

Allan R. Handysides é diretor do 
Departamento de Saúde da 
Associação Geral da IASD.

Fonte: Adventist World
(http://portuguese.adventistworld.org/issue.php?issue=2009-1004&page=11)

Blogagem Coletiva pelos Blogs Comportamento Cristão e Fazendo o Mundo Melhor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário